MACHU PICCHU

A Cidade Perdida dos Incas

A minha vontade de conhecer Machu Picchu vem desde os tempos de aula de história, no ensino fundamental. De lá pra cá, sempre que via uma foto a vontade batia, acompanhada do pensamento: “Um dia eu ainda vou lá.” E esse dia chegou!

Nossa ida à Machu Picchu se iniciou em Ollantaytambo, onde pegamos um trem (muito bom por sinal) que nos deixou em Águas Calientes, cidadezinha muito simpática de onde partem os micro-ônibus para Machu Picchu. Chegamos à noite e fomos para um hotel pré-reservado. Nossa programação era de no dia seguinte, pegar o ônibus para M.P. bem cedo. O que nos preocupava era o tempo, chovia bastante! No dia seguinte acordamos cedo, mas para o nosso desanimo, ainda estava chovendo. Voltamos pra cama com medo de que nosso mais almejado destino fosse frustrante. Mas, no final da manhã a chuva diminuiu e resolvemos partir. Na subida de uma íngreme estradinha de chão batido, nos víamos cercado por montanhas e um leve nevoeiro, um ambiente misterioso que só aumentava nossa expectativa. Finalmente chegamos e o tempo abriu de vez, tornando nossa visita ainda mais mágica.

 

Um pouco da história de Machu Picchu

Situada há 2400 metros de altitude, no topo de uma montanha, Machu Picchu (que em quéchua significa “montanha velha”), é cercada por outras montanhas e circundada pelo rio Urubamba (Vilcanota). A cidade foi construída no século XV, sob as ordens de Pachacuti, o então imperador Inca. A teoria mais aceita é de que foi construída com o objetivo de supervisionar a economia das regiões conquistadas pelos Incas, e também, com o propósito secreto de refugiar o imperador e seu séquito mais próximo, no caso de um ataque.

Machu Picchu não foi descoberta durante a conquista (invasão) espanhola. Isso por estar localizada entre outras montanhas, em uma região muito alta e estrategicamente escolhida pare realmente não ser descoberta. Além disso, diz a lenda que Atahualpa  (imperador Inca) quando percebeu que não teria como deter os espanhóis, ordenou que destruíssem os caminhos que levavam até lá. O objetivo de esconder Machu Picchu deu tão certo, que só quase 400 anos depois ela foi encontrada.

A descoberta de Machu Picchu é creditada ao professor, antropólogo e historiador norte-americado Hiram Bigham, que à frente de uma expedição da Universidade de Yale em 1911 apresentou ao mundo a “Cidade Perdida dos Incas”. Apesar disso Harry Singer em 1870, Herman Gohring em 1874 e Charles WIener em 1880, já haviam colocado no mapa a existência de Machu Picchu. A expedição de Bigham foi patrocinada pela National Geographic Society e foi registrada em uma edição especial da revista em 1913, com 183 páginas e centenas de fotografias. Algumas delas podem ser vistas  NESTE LINK da National Geografic.

Atualmente, apenas cerca de 30% da cidade é de construção original, o restante foi reconstruído. A parte original é facilmente reconhecida pelo tamanho das pedras e pelos encaixes precisos, qualidades da arquitetura Inca. Machu Picchu possui duas grandes áreas: a agrícola e a urbana. Ao lado, existe uma montanha ainda maior chamada Huayna Picchu e a visita a ela é limitada a 400 pessoas por dia. Toda a distribuição da cidade é muito organizada e segundo a história Inca, tudo fora planejado para a passagem do deus sol. A cidade era tão avançada que contava com terraços e arquedutos para conduzir a água, com sistema de drenagem subterrânea de fazer inveja a muitas cidades atuais. Além disso, em 1911 quando foi descoberta, as construções eram mais resistentes contra terremotos do que as cidades contemporâneas que os espanhóis ergueram no território peruano.

Em Machu Picchu é possível ter um contato bem próximo com as simpáticas Lhamas. Acostumadas ao contato com os turistas, elas aceitam a aproximação humana e embelezam ainda mais o ambiente. Só não ofereça comida, elas podem querer tudo!

 

Gostaria de poder transmitir claramente o que senti ao estar em Machu Picchu, mas receio que minhas palavras e fotos não são suficientes. A beleza e energia que emana da paisagem natural e das construções em rochas desse lugar é magnífica.

O que posso acrescentar é que hoje em dia respeito muito mais a história do povo Inca e não somente os Incas. A experiência que foi conhecer de perto a Bolívia e o Peru, me fez respeitar e admirar muito a cultura e história sul-americana, da qual faço parte.

 Além disso, descobri lugares incríveis, belíssimos, aqui do lado. Essa viagem que começou na Bolívia e terminou no Peru não poderia ter sido melhor: Após Sucre, encarar a road trip do Salar de Uyuni até o Parque Nacional Eduardo Avaroa na divisa com o Chile, com paisagens naturais deslumbrantes e surreais; subir à 5395 metros de altitude no Chacaltaya e conhecer a cidade de La Paz; ver o nascer do sol na Isla del Sol e atravessar o lago Titicaca até as Ilhas Flutuantes de Uros; conhecer a história Inca em Cusco e no Vale Sagrado; e fechar a viagem nesse lugar incrível chamado Machu Picchu. Foi perfeito! Uma verdadeira aventura que indico a todos! Pra quem tem vontade de aventurar-se pela América do Sul, mas ainda não tomou a atitude, deixou um famoso ditado Inca:

 

Na vida existem três caminhos: O certo, o errado e o do coração.

O certo, nem sempre é o certo.

O errado, nem sempre é o errado.

Mas o do coração é sempre o caminho do coração.

Portanto, siga sempre o seu coração!”